DR JIVAGO
( Terminei, estes dias, a leitura de Dr Jivago, o "livrão" de Boris Pasternak. Não há como não se emocionar com o livro, um grande filho da grande tradição do romance russo. A historia do doutor e suas vicissitudes percorre um longo caminho, desde antes da revolução de 1905 até depois da Segunda Grande Guerra.
A narrativa de Pasternak é colossal, a natureza é colossal, os personagens são humanos, demasiado humanos. E, diga-se de passagem, nada a ver com a historia açucarada que David lean filmou em 1965. Vale realmente a pena. Segue um poema de Pasternak/Jivago, para seu deleite...)
(fonte: www.cinematographers.nl/GreatDoPh/young.htm)
O VENTO
(Iúri Jivago)
Já deixei de viver, mas estás viva,
E o vento, com seus prantos e gemidos,
Açoita a casa e o bosque, redivivos.
E já não move apenas os pinheiros,
Mas todas estas arvores amigas,
Alem dos horizontes derradeiros,
Como se fossem velas sensitivas
Sobre o espelho das águas passageiras.
E não por um capricho distraídas,
Balançam, ou por simples desespero:
Mas para dar essa tristeza antiga
Canções para o teu sono verdadeiro.
(tradução de Marco Lucchesi)
Escrito por jeffpicanco às 13h59
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