PLANTAR BANANA
(Meu avô, Manoel Picanço (1904-1967) escrevia um diário, onde contava causos e anotava fatos do cotidiano de Antonina. Se tivesse conhecido a internet, "seu" Maneco com certeza seria blogueiro...)
PLANTAR BANANA
Quando o Sr Demerval Cordeiro tinha banca no mercado para venda de frutas e verduras, certa ocasião apareceu um caboclo da Lagoinha por nome de Hilário, oferecendo ao Demerval umas 40 dúzias de bananas, mas para fazer negócio necessitava de uns CR$30,00 adiantados, e foi atendido.
Passado mais de 15 dias, o Hilário não trouxe a banana, mas veio dar uma satisfação ao Demerval. Disse que necessitava de mais 15.000 cruzeiros para comprar um animal para a puxada da banana, pois o percurso era longo e demorado. O Demerval atendeu.
Mais uns 15 dias e nada de banana. Mas o Hilário apareceu, necessitava de mais 10.000 cruzeiros para um carro, desejava comprá-lo, pois com o animal era muito pouco o serviço quase não rendia. No carro, puxaria 2 dúzias de cachos cada vez. Ao ser atendido, o Hilário solicitou mais 5.000 para o arreiamento, pois o dono do carro fazia somente o negócio com o arreio. Foi atendido nos 15.000.
Passou mais alguns dias e nada. Voltou a falar com o Sr. Demerval, pois a estrada estava péssima, não dava para o carro passar, encalhava, era carga e descarga, muito sacrifício. Necessitava mais 10.000 cruzeiros para os reparos da estrada. Novamente, foi atendido.
Decorreu um mez e nada do Hilário com a banana.
Mas o Hilário não apareceu. Foi o Sr. Demerval que foi procura-lo, o encontrou e falou: "Como é a banana? Dei dinheiro para comprar o animal, o carro com o arreio, dinheiro para fazer a estrada, dinheiro adiantado para o corte, e até agora nada de banana!".
O Hilário, calmo, ouviu tudo e depois disse: "Seu Demerval, tudo que o Senhor disse é verdade. Só que agora eu precisava de uns 100.000 cruzeiros para plantar o bananal".
Escrito por jeffpicanco às 22h27
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