(este é um trecho de minha monografia "Índios E Espanhóis No Guairá", com a qual fiquei em segundo lugar num concurso de monografias promovido pela secretaria de cultura...desconfio que só tinham dois trabalhos lá, por isso fiquei em segundo...) Dedico esta vitória a duas pessoas em especial: ‘A minha esposa, Maria José Mesquita, doce incentivadora e a implacável crítica dos meus textos; e à minha tia Enezila de Lima, que me ensinou muitas lições de vida e de história do Brasil Colonial. UM PAÍS CHAMADO GUAIRÁ O antigo Guairá (1541-1632) é um território situado no atual estado do Paraná. Compreende a região entre os rios Paranapanema a norte, Iguaçu a sul, Paraná a oeste e Tibagi a leste. A região era ocupada por tribos Guaranis e tribos do grupo Jê. As tribos guarani situavam-se nos vales dos grandes rios e nas florestas tropicais adjacentes. As nações jê ocupavam as serras, principalmente as matas de araucária. Estima-se, para este período, uma população de 100 a 300 mil pessoas. O Paraguai se constitui pela aliança entre os espanhóis e os guaranis, quando Assunção é fundada por Juan Ayolas. Perdidas as esperanças de encontrar grandes tesouros na região, os espanhóis se voltam contra seus antigos aliados, submetendo-os ao sistema de encomiendas. Esse sistema deixaria as populações indígenas em permanente pé-de-guerra com os espanhóis. Desde a conquista do Paraguai, a região do Guairá, que já era cortada por inúmeros caminhos, virou uma importante região de passagem entre o litoral brasileiro e a cidade de Assunção. A partir de Assunção, foi fundada inicialmente Ciudad Real del Guairá (1557), situada na barra do rio Piquiri no rio Paraná. A segunda vila, denominada Villa Rica del Espiritu Santo mudou-se três vezes de lugar.Sua primeira fundação (1576) deu-se em algum lugar do vale do Rio Piquiri, mais próximo de CiudadReal. A segunda provavelmente ocorreu no lugar depois denominado Tambo das Minas de Ferro, no Coraciberá. A terceira fundação ocorre em 1589, no rio Ivaí, próximo a barra do Corumbataí, onde estão as atuais ruínas. Inicialmente, os moradores tentaram encontrar riquezas minerais. Durante certo tempo, os moradores de Ciudad Real acreditaram no valor das ametistas que ocorrem na região. O ferro era explorado em pequena escala, principalmente em forjas do tipo catalão. Foram descritos inclusive depósitos de salinas na região. Sem achar metais, os moradores (vecinos) das vilas espanholas iniciaram a extração da erva-mate. A erva era explorada utilizando a mão-de-obra indígena, segundo o sistema de encomiendas, também chamado no Paraguai beneficio herbatero. Os índios encomendados, ao final do século XVI, provinham dos vales dos rios Tibagi, Piquiri, Cantu, Iniaí, Iguaçu e Paraná. Estes eram enviados aos ervais da serra de Maracaju, no Paraguai, para a extração da erva-mate. Como o sistema estivesse comprometido pela resistência indígena, os padres da companhia de Jesus foram convidados a entrar na região e fundar as missões. Inicialmente duas, cresceram para mais de treze. Os padres além da resistência dos indígenas em aderir ao projeto reducional, tinham que conter os encomenderos das vilas espanholas e os bandeirantes paulistas. Estes vinham retirar os índios já aculturados para trabalhar em suas plantações de trigo em São Paulo. O acirramento se dá nos anos de 1628-32, quando as bandeiras paulistas arrasam a maior parte das missões recém-construídas, muitas vezes com a conivência dos espanhóis das vilas e mesmo do governador do Paraguai, Céspedes y Xeria. Os jesuítas decidem retirar as duas ultimas reduções do Guairá no final de 1631. Em 1632, os habitantes das vilas espanholas também abandonam a região, que fica praticamente deserta pelos dois séculos seguintes. Passando para a órbita portuguesa, o antigo Guairá é reocupado posteriormente, como parte do atual estado do Paraná. Esta colonização, que data da segunda metade do século XX, implanta na região um forte setor agro-industrial, com a fundação das cidades de Londrina, Maringá, Cascavel, entre outras. Ocupado por frentes pioneiras de diversas regiões do Brasil, o Paraná é hoje um estado que não tem uma identidade própria. Resgatar seu passado espanhol e guarani pode ser um passo importante no sentido de construir esta identidade.
Escrito por jeffpicanco às 19h23
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(um biscoito fino da poesia do seculo XX...)
Canto 81- Ezra Pound Tradução conjunta Augusto e Haroldo de Campos, Décio Pignatari
O que amas de verdade permanece, o resto é escória. O que amas de verdade não te será arrancado O que amas de verdade é tua herança verdadeira Mundo de quem,meu ou deles Ou não é de ninguém? Veio o visível primeiro, depois o palpável Elísio, ainda que fosse nas câmaras do inferno, O que amas de verdade é tua herança verdadeira O que amas de verdade não te será arrancado
A formiga é um centauro em seu mundo de dragões. Abaixo tua vaidade, nem coragem Nem ordem, nem graça são obras do homem, Abaixo tua vaidade, eu digo abaixo. Aprende com o mundo verde o teu lugar Na escala da invenção ou arte verdadeira, Abaixo tua vaidade, Paquim, abaixo!
O elmo verde superou tua elegância. “Domina-te e os outros te suportarão” Abaixo tua vaidade Tu és um cão surrado e largado ao granizo, Uma pega inchada sob um sol instável, Metade branca, metade negra E confundes a asa com a cauda Abaixo tua vaidade Que mesquinhos os teus ódios Nutridos na mentira, Abaixo tua vaidade Ávido em destruir, avaro em caridade, Abaixo tua vaidade, Eu digo abaixo.
Mas ter feito em lugar de não fazer isto não é vaidade Ter, com decência, batido Para que um Blunt abrisse ter colhido no ar a tradição mais viva Ou num belo olho antigo a flama inconquistada Isto não é vaidade. Aqui o erro todo consiste em não feito. Todo: na timidez que vacilou. (http://blogln.ning.com/profiles/blogs/canto-81-ezra-pound)
Escrito por jeffpicanco às 18h31
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